Marketing & Comunicação: June 2008 Archives
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06/2008
06/2008
Em Favor da Qualidade
O Leo Rama mandou ontem pro Higor Franco um artigo que havia postado em seu blog, repassando um texto do professor Eric Messa (FAAP) sobre a qualidade da propaganda das grandes agências.
Comentamos sobre o assunto ontem após a apresentação do Interdisciplinar, mas a reflexão veio mesmo hoje, quando tive a oportunidade de ler o texto por completo. Logo de início pensei se tratar de uma "volta ao passado" dentro da propaganda. Por um lado veio a crítica a favor da iniciativa dos empreendedores do passado ao darem forma as primeiras agências, do outro lado veio a atribuição da falta de qualidade ao exponencial crescimento do mercado, em síntese. Mas será que esse ponto de vista está inteiramente correto? Não é uma precipitação?
Já que não tenho papas na língua e não sou um arbitrário fã da propaganda quadrada da década passada, vou defender um ponto de vista contrário ao de Eric Messa. Apontar a falta de qualidade para a precária adaptação dos antigos profissionais nos novos meios digitais e interativos. Acima de tudo, vou forçá-los, queridos leitores, a repensar essa ideia obsoleta de publicidade.
1 - Onde tudo começou
No Brasil dos anos 60 a TV estava em alta. O meio bombava, o formato era novo, prometia substituir o rádio. Mesmo assim, grande parte dos anunciantes não dava o devido crédito ao mercado: fato que virou de ponta cabeça em poucos anos.
McCann Erickson, Alcântara Machado (atual ALMAP BBDO), Lintas (atual BorghiErh/Lowe), JWT, W/Brasil, a lista é grande. São esses caras que deram cara a televisão. A criatividade era um filme comercial que, em 30 segundos, traduzia um conceito em sucesso de vendas. Não existia o santo Photoshop para ajudar: tudo era criado na raça.
Junto a nova mídia, os potenciais consumidores também não esperavam um ar de criatividade e inovação. Ver um comercial era legal, era bacana, era cool. As pessoas cantavam os jingles, eram diretamente influenciadas pela imagem, tudo dava certo.
2 - A revolução 2.0
Passaram-se 20 longos anos de história. Na década de 90 o comercial já era tratado como "reclame". Era a hora de tirar àgua do joelho e comentar sobre o episódio recém assistido. Lindo, não? A mídia já era vasta. TV, Outdoor, Indoor, revista, jornal, rádio. Não parecia haver nenhuma restrição. E, em 1994, a internet chega com potência comercial ao mundo.
Em caráter social, na década de 70 nasceu a geração que hoje ocupa cadeira honrosa nas grandes agências. Formaram-se profissionalmente com base na alta dos comerciais. Quem nasceu na década seguinte já foi criado diferente. A internet, em 90, já fazia parte de sua cultura, a sociedade estava prestes a mudar.
A democratização da informação, o acesso livre a todo e qualquer conteúdo disponibilizado na internet, uma alta conectividade de jovens que ainda nem sabiam o que era um celular. Estava na cara que o mundo ia mudar. A propaganda precisava aprender a trabalhar com isso. Surge assim um desacreditado e descreditado universo on-line.
3 - A evolução 3.0
Começam os anos 2000. A internet ganha potencial. Muitas (leia-se: MUITAS) agências especializadas surgiram. Quem está dirigindo esse mercado? Será que são os publicitários que faziam comerciais?
Não, não são. Quem trabalhava, no começo, com internet ou era visionário ou era maluco. Alguns deram muito certo. Hoje alguns sites possuem muito mais visibilidade que algumas grandes revistas.
Se a formula ainda é efetiva ou não, isso é assunto pra outro dia.
O problema não é a falta de profissionais qualificados nas agências. A atual situação do mercado exige noites mal dormidas. Gente despreparada nasce aos montes, e quem ganha, na verdade, são as grandes empresas. A "prostituição" das agências, baseada na infeliz atitude mercenária dos grandes empresários e no gradativo aumento de mercado está causando náuseas nos profissionais mais quadrados, que viveram a profissão em outro momento.
Colocar gente jovem no poder não é o grande problema. O mercado exige uma postura mais radical, um ponto de vista mais interativo, um esforço mais jovial. Se hoje reclamamos da realidade, a culpa é da demanda. É consequencia de eventos socio-culturais.
O único infortúneo dessa triste verdade é a desvalorização do profissional, que trabalha mais de 10 horas por dia mostrando que seu ego é maior que o dos outros. Aí, enquanto um diretor de criação defeca dinheiro, a culpa da precária produção e má excelência em design vai direto aos jovens. Na verdade, a culpa é da direção. Se sua ideia é engolida pelo ego de seu chefe; se seu crescimento está apoiado nas costas de uma grande influência (e não na sua qualidade); de quem é a culpa, no fim das contas?
Comentamos sobre o assunto ontem após a apresentação do Interdisciplinar, mas a reflexão veio mesmo hoje, quando tive a oportunidade de ler o texto por completo. Logo de início pensei se tratar de uma "volta ao passado" dentro da propaganda. Por um lado veio a crítica a favor da iniciativa dos empreendedores do passado ao darem forma as primeiras agências, do outro lado veio a atribuição da falta de qualidade ao exponencial crescimento do mercado, em síntese. Mas será que esse ponto de vista está inteiramente correto? Não é uma precipitação?
Já que não tenho papas na língua e não sou um arbitrário fã da propaganda quadrada da década passada, vou defender um ponto de vista contrário ao de Eric Messa. Apontar a falta de qualidade para a precária adaptação dos antigos profissionais nos novos meios digitais e interativos. Acima de tudo, vou forçá-los, queridos leitores, a repensar essa ideia obsoleta de publicidade.
1 - Onde tudo começou
McCann Erickson, Alcântara Machado (atual ALMAP BBDO), Lintas (atual BorghiErh/Lowe), JWT, W/Brasil, a lista é grande. São esses caras que deram cara a televisão. A criatividade era um filme comercial que, em 30 segundos, traduzia um conceito em sucesso de vendas. Não existia o santo Photoshop para ajudar: tudo era criado na raça.
Junto a nova mídia, os potenciais consumidores também não esperavam um ar de criatividade e inovação. Ver um comercial era legal, era bacana, era cool. As pessoas cantavam os jingles, eram diretamente influenciadas pela imagem, tudo dava certo.
2 - A revolução 2.0
Em caráter social, na década de 70 nasceu a geração que hoje ocupa cadeira honrosa nas grandes agências. Formaram-se profissionalmente com base na alta dos comerciais. Quem nasceu na década seguinte já foi criado diferente. A internet, em 90, já fazia parte de sua cultura, a sociedade estava prestes a mudar.
A democratização da informação, o acesso livre a todo e qualquer conteúdo disponibilizado na internet, uma alta conectividade de jovens que ainda nem sabiam o que era um celular. Estava na cara que o mundo ia mudar. A propaganda precisava aprender a trabalhar com isso. Surge assim um desacreditado e descreditado universo on-line.
3 - A evolução 3.0
Começam os anos 2000. A internet ganha potencial. Muitas (leia-se: MUITAS) agências especializadas surgiram. Quem está dirigindo esse mercado? Será que são os publicitários que faziam comerciais?
Não, não são. Quem trabalhava, no começo, com internet ou era visionário ou era maluco. Alguns deram muito certo. Hoje alguns sites possuem muito mais visibilidade que algumas grandes revistas.
Se a formula ainda é efetiva ou não, isso é assunto pra outro dia.
Colocar gente jovem no poder não é o grande problema. O mercado exige uma postura mais radical, um ponto de vista mais interativo, um esforço mais jovial. Se hoje reclamamos da realidade, a culpa é da demanda. É consequencia de eventos socio-culturais.
O único infortúneo dessa triste verdade é a desvalorização do profissional, que trabalha mais de 10 horas por dia mostrando que seu ego é maior que o dos outros. Aí, enquanto um diretor de criação defeca dinheiro, a culpa da precária produção e má excelência em design vai direto aos jovens. Na verdade, a culpa é da direção. Se sua ideia é engolida pelo ego de seu chefe; se seu crescimento está apoiado nas costas de uma grande influência (e não na sua qualidade); de quem é a culpa, no fim das contas?



