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10/2008
Episódio IV: Uma Nova Esperança
Antes de mais nada, para contextualizar este texto, caso alguém aí ainda não tenha visto, segue abaixo o video da discussão entre Nizan Guanaes (ABC) e Fabio Fernandes (F/Nazca).
Sei que o assunto está batido. Já faz algum tempo que esse video é comentado, e não faria o menor sentido colocá-lo aqui apenas para semear a viralização da briga. Mas o debate que proponho não é apenas sobre a metodologia escraviária de Nizan Guanaes, e muito menos a atitude agressiva de Fabio Fernandes. O assunto é um pouco mais profundo.
Coloquemos no papel: 6 meses de crise mundial. O mercado americano está quebrado, o brasileiro está sofrendo as consequencias. Os investidores estão desesperados, vendendo tudo o que tem para não cair em um prejuízo maior ainda. E assim, pelo simples efeito da oferta e procura, os valores caem por um lado, e sobem por outro. Não ia demorar pra isso tudo atingir o mercado publicitário. Foram 30 demissões na DM9DDB, 35 na McCann Erickson, 26 da Eugenio, 4 da Hello, e mais um montão de quebrados por aí a fora. Direta ou indiretamente, as agências estão sofrendo, aos poucos, com a queda dos investimentos e das verbas de seus clientes.
Isso tudo era de se imaginar, certo? Não há dinheiro, não há trabalho. Isso é um círculo vicioso que se deterioriza ao passar dos anos. Um boom pouco previsto no modelo de negócios baseado na terceirização.
Desde que tudo isso começou, ví pouca movimentação para superar isso tudo. Mas uma das cartas que mais me motivaram veio da própria F/ Nazca, agência do Fabio Fernandes.
De uma vez por todas, o que precisamos não é mais um ideal capitalista, pensado para manter os falidos clientes ativos no mercado. Agora o que vale é a cabeça de cada um: o que manda, novamente, é o ideal. Isso não significa que o dinheiro não é mais importante, mas sim que o dinheiro está virando a consequencia de uma mobilização em prol da criatividade, do bom senso e da ética: uma série de objetos que ha muito tempo foram esquecidos pela sociedade.
Ao mesmo lado da F/ Nazca, o Grupo Full Jazz e o Grupo Omnicom, também se preparam para este passo. Acreditar em um futuro melhor, e movimentar os dedos para que esse ideal se torne realidade, é o grande Tchan dessa crise. Afinal, como diz o ditado popular: é hora de crescer na diversidade.
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08/2008
Crônicas de Liderança #1
Pois bem, vou escrever uma série de artigos sobre liderança. isso é uma decisão minha e não tô nem aí pro que acharem. MUAHAHA.
Acredito que são textos de muitíssima utilidade para todos que estão começando a carreira agora.
1 - O Prólogo da Liderança
Alfredo nunca foi um cara muito notável, embora muitos o reconhecessem por sua habilidade de se comunicar e por sua criatividade.
Com o tempo, Alfredo começou a pegar gosto por aparecer, e achou que ter uma equipe sob seu comando seria uma boa forma de mostrar do que é capaz. Claro que, por um lado, essa atitude lhe faria certo mal. Não lhe reconheciam o trabalho, e nunca ninguém ressaltou sua superioridade em nada, mas mesmo assim, o jovem quis tentar. E assim, entrou para uma escola de administração e preparou seus fundos para abrir uma empresa, onde ele seria chefe de si mesmo.
Anos mais tarde seu sucesso fora comprometido por diversas vezes. Nem tudo que passava por ele era de qualidade notável, e nem todos seus funcionários estavam contentes com seu trabalho. E essa situação não só prejudicou o grupo como um todo, como também colocou em risco a própria administração da empresa, que veio a falir alguns anos mais tarde.Já calejado de mercado, Alfredo apostou todas suas fichas em seu estilo de liderança autoritário, e resolveu abrir outro escritório com o que sobrou de seus fundos.
Dessa vez, contratou Gabriel, um jovem com metade de sua idade e um grande espírito de liderança. Seu relacionamento com seus companheiros costumava estar sempre em alta, e seu ânimo parecia cada vez mais inabalável. Não ia demorar para que ambos conflitassem.
Alfredo, portanto, demitiu Gabriel e colocou em prática mais uma de suas idéias mirabolantes. Conseguira interseccionar duas idéias completamente diferentes e criar um produto que poderia gerar uma grande demanda no mercado. Transformou seu escritório em uma grande fábrica de idéias e vendeu seu modelo de negócio para grandes nomes do mercado. E posteriormente, outra vez, um por um, todos eles desistiram.
Gabriel, no entanto, fora chamado por um dos ex-financiadores de Alfredo para formar parte da comissão diretiva de um novo projeto. Ainda sem muita experiência, o jovem aceitou o desafio e gastou uma grande parte de seus fundos para providenciar a sua equipe o mais perfeito ambiente de trabalho que conseguiria.Os perfis de Alfredo e Gabriel eram muito parecidos. Por mais que um fosse mais empreendedor, e outro arriscasse menos, o objetivo de liderar uma equipe em um projeto de sucesso era comum.
Agora pare, pense um pouco, e pergunte-se a si mesmo: Qual é a primeira característica crucial que determinara o sucesso de Gabriel e os incontáveis fracassos de Alfredo? Será a experiência de mercado? Será o objetivo? Ou será que é o método?
A primeira coisa que é preciso saber para exercer uma função de liderança é que o mais importante não são os números e as idéias, e sim a forma com que esses objetivos são alcançados. Maquiavel, portanto, estava errado. Os fins não justificam os meios.
Portanto, quando quiser liderar, não deixe de ouvir as necessidades das pessoas que trabalham pra você. Esteja sempre oferecendo auxílio e sua força para que realizem as tarefas da forma mais cômoda possível, mas não tire deles o trabalho. Procure estar do lado de seu grupo, e não na frente. Deixe que te ajudem a tomar as decisões, e coordene o trabalho para que tudo se resolva da melhor forma possível.
Afinal, os meios justificam os fins.
Dr. Job, solucionando seu respeito sobre os demais. muahaha - (não entendeu?)
ps: Todas as referências de Liderança são retiradas dos Livros: "O Monge e o Executivo - James C. Hunter", " Como se Tornar um Líder Servidor - James C. Hunter", " A Sabedoria dos Monges na Arte de Liderar Pessoas - Anselm Grun" e "Jesus, o Maior Líder que Já Existiu - Laurie Beth Jones"
07/2008
O Fim da Liberdade
Quem tem muito poder, quer tirá-lo de quem tem pouco. Isso é normal já, estamos todos acostumados. Politicagens safadas querem fazer-nos perder um dos direitos mais batalhados de todos os tempos: a liberdade. Por que estou gastando o meu tempo escrevendo isso? Ou melhor, por que estou disperdiçando o seu tempo, estimado leitor, lendo alguma coisa que não tem relação direta com design, com publicidade, com conteúdo, e com criatividade?
A resposta é simples.
Eugène Delacroix não era bobo. Não foi o único também. A arte sempre esteve presente no desenvolvimento social. Nomes importantes revolucionaram a forma com que lidamos com nossos direitos. Esses nomes estão se perdendo, fugindo dos olhos do povo. Estamos felizes com o que conseguimos para nós. Ou melhor: felizes com o que nossos pais conseguiram para seus filhos.
Mas antes de proclamar derrota, podemos retomar o espírito de batalha de nossos ancestrais. Afinal, ninguém quer ver a liberdade ir embora, assim, aos pocos, né? O projeto ameaça nosso universo virtual, nossa internet, nosso principal meio de comunicação.
A arte mudou o mundo uma vez, transformou tudo o que queríamos ser no que somos hoje. Deu-nos liberdade a troco de vidas. É a mesma arte que criou um universo de cores e fotografias, que inundam cinemas, capelas, propagandas, inspiram músicos, arquitetos, engenheiros, metemáticos, físicos. É a mesma liberdade que nos está sendo cobrada, lutemos por ela.
Vou deixar os detalhes técnicos aos posts linkados abaixo, e a conclusão a você.
Links Úteis
- Assine a petição que o João Carlos Caribé fez.
- Veja aqui um excelente post do Eric Messa sobre o assunto.
- Renê Fraga sobre o assunto no Google Discovery.
06/2008
Em Favor da Qualidade
Comentamos sobre o assunto ontem após a apresentação do Interdisciplinar, mas a reflexão veio mesmo hoje, quando tive a oportunidade de ler o texto por completo. Logo de início pensei se tratar de uma "volta ao passado" dentro da propaganda. Por um lado veio a crítica a favor da iniciativa dos empreendedores do passado ao darem forma as primeiras agências, do outro lado veio a atribuição da falta de qualidade ao exponencial crescimento do mercado, em síntese. Mas será que esse ponto de vista está inteiramente correto? Não é uma precipitação?
Já que não tenho papas na língua e não sou um arbitrário fã da propaganda quadrada da década passada, vou defender um ponto de vista contrário ao de Eric Messa. Apontar a falta de qualidade para a precária adaptação dos antigos profissionais nos novos meios digitais e interativos. Acima de tudo, vou forçá-los, queridos leitores, a repensar essa ideia obsoleta de publicidade.
1 - Onde tudo começou
McCann Erickson, Alcântara Machado (atual ALMAP BBDO), Lintas (atual BorghiErh/Lowe), JWT, W/Brasil, a lista é grande. São esses caras que deram cara a televisão. A criatividade era um filme comercial que, em 30 segundos, traduzia um conceito em sucesso de vendas. Não existia o santo Photoshop para ajudar: tudo era criado na raça.
Junto a nova mídia, os potenciais consumidores também não esperavam um ar de criatividade e inovação. Ver um comercial era legal, era bacana, era cool. As pessoas cantavam os jingles, eram diretamente influenciadas pela imagem, tudo dava certo.
2 - A revolução 2.0
Em caráter social, na década de 70 nasceu a geração que hoje ocupa cadeira honrosa nas grandes agências. Formaram-se profissionalmente com base na alta dos comerciais. Quem nasceu na década seguinte já foi criado diferente. A internet, em 90, já fazia parte de sua cultura, a sociedade estava prestes a mudar.
A democratização da informação, o acesso livre a todo e qualquer conteúdo disponibilizado na internet, uma alta conectividade de jovens que ainda nem sabiam o que era um celular. Estava na cara que o mundo ia mudar. A propaganda precisava aprender a trabalhar com isso. Surge assim um desacreditado e descreditado universo on-line.
3 - A evolução 3.0
Começam os anos 2000. A internet ganha potencial. Muitas (leia-se: MUITAS) agências especializadas surgiram. Quem está dirigindo esse mercado? Será que são os publicitários que faziam comerciais?
Não, não são. Quem trabalhava, no começo, com internet ou era visionário ou era maluco. Alguns deram muito certo. Hoje alguns sites possuem muito mais visibilidade que algumas grandes revistas.
Se a formula ainda é efetiva ou não, isso é assunto pra outro dia.
Colocar gente jovem no poder não é o grande problema. O mercado exige uma postura mais radical, um ponto de vista mais interativo, um esforço mais jovial. Se hoje reclamamos da realidade, a culpa é da demanda. É consequencia de eventos socio-culturais.
O único infortúneo dessa triste verdade é a desvalorização do profissional, que trabalha mais de 10 horas por dia mostrando que seu ego é maior que o dos outros. Aí, enquanto um diretor de criação defeca dinheiro, a culpa da precária produção e má excelência em design vai direto aos jovens. Na verdade, a culpa é da direção. Se sua ideia é engolida pelo ego de seu chefe; se seu crescimento está apoiado nas costas de uma grande influência (e não na sua qualidade); de quem é a culpa, no fim das contas?
05/2008
Hotwords para as Agências - Parte 1
Meu conhecimento de mercado ainda é limitado ao que conheço mediante os veículos que me atingem. Internet, Revistas de negócios, de design, de arte, faculdade, propagandas, ações criativas, prêmios. Tudo isso é muito legal. Essas pequenas grandes iniciativas nos dão um certo "feeling" de determinada marca. É aquilo que a gente chama de "imagem de Marca", só que de uma maneira mais técnica.
Não achei nenhum termo que me remetesse direto ao que quero tratar. Mas vamos imaginar que estamos falando de um tipo de Insight, só que em vez de relacionar formas, vamos relacionar a percepção com o valor atribuido a ela. Isso dentro do ramo publicitário.
Quero só deixar claro que eu não sou nenhum tipo de expert nas marcas e que muito menos conheço fundamentalmente todos os conceitos que elas criaram para sí. Esse é um ponto de vista exclusivamente meu e não foi interferido ou influenciado por mais ninguém.
Em seguida minha análise de 41 grandes agências.
05/2008
RITMOS URBANOS ADES

Aqui estou novamente, com mais um texto de Marketing de Guerrilha.
No dia 17 de maio, eu, André Bernardi-Reprojecting e Diego Honorato presenciamos mais uma ação criativa realizada pela Power 4 na divulgação dos produtos ADES, da Unilever. A marca deu início nesta sexta-feira às intervenções urbanas que acontece nas principais capitais brasileiras.
A ação "Ritmos Urbanos ADES" utiliza o ritmo corrido do dia-a-dia para reforçar o relançamento da sua linha Frutas, que acaba de ser enriquecida com vitaminas e minerais.
Em determinado momento da apresentação, um grupo de street dancers, trajados como personagens comuns do cotidiano ficam paralisados em freezing - e fazem uma performance que remete estes ritmos, mixados por DJs e VJs(grupo Bijari) com imagens e sons presentes no dia-a-dia.
Na apresentação que presenciei, no Shopping Morumbi, a ação foi tão impactante que as pessoas que passavam por ali, entraram na dança imitando o grupo de street dancers, causando um impacto maior do que o esperado e uma grande festa inesperada.
Clique aqui para ver fotos do evento.
05/2008
A Mulher Digital
Gostei do conteúdo apresentado. Não vou dar uma de reclamão e ficar falando mal nem nada no estilo. Também não vou perder tempo fazendo um release sobre o que rolou. Então vamos direto aos fatos.
1 - Número de usuárias on-line no Brasil, hoje:
Segundo o Ibope/NetRatings o número de internautas do sexo feminino chegou a 6,5 milhões em algum momento do ano passado. Isso representa algo em torno de 48% do número total de usuários de internet no Brasil.
2 - Sites feitos exclusivamente para mulheres
A Ideiasnet é uma daquelas fábricas de criação de veículos e serviços on-line, e conta com o Bolsa de Mulher e o Bolsa de Bebê, sites quase que exclusivamente feito para a meninada, que viaja num público de 20 a 50 anos.
Além do investimento de grandes portais em criar canais específicos para o público feminino, podemos contar com uma diversidade de conteúdo muito grande que atinge a mulher, que varia do Esporte a Moda, passando por assuntos que antes eram considerados exclusivamente femininos, como Finanças e Economia.
3 - No Brasil e no mundo, mulher também cria conteúdo
Aqui na Ilha da Vera Cruz temos bons exemplos de blogueiras que criam e distribuem conteúdo. Mirian Bottan, Bruna Calheiros, Dani Koetz, a Menina que Joga (desculpe, não sei seu nome =/), a Luiza Gomes e muchas otras más, são exemplos que deram certo. Não sei exatamente a quantidade de visitantes que as garotas recebem por mês, mas não tenho dúvida da repercussão que uma notícia que publicam pode causar.
Nos outros 3 cantos do planeta água, encontramos duas grandes referências de garotas que criam: Xu Jinglei e Yoani Sánches.
A Xu foi eleita uma das maiores influências da internet e recebe mais de 3 milhões de visitas únicas por mês. Isso faz dela a blogueira mais visitada do mundo!
Agora, fazendo um panorama geral, solto a pergunta: Será que os profissionais e os anunciantes já estão cientes disso? Estamos dando toda a importância que as mulheres merecem pelo que conquistaram na internet nos últimos 10 anos?
Eu cresci no universo Digital. Acho que isso me fez desenvolver um raciocínio democrata baseado em igualdade social e étnica. Hoje elas merecem nosso respeito. Eu apostaria muito no futuro das nossas garotas-de-internet, e com certeza arriscaria investir na meninada que influencia diretamente os demais internautas de plantão.



